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Orçamento familiar mensal: como fazer, com tabela-exemplo em Kz

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Orçamento familiar mensal: como fazer, com tabela-exemplo em Kz

Atualizado em outubro de 2026

Para fazer um orçamento familiar mensal, some o que a casa recebe de facto (o salário líquido de todos), separe primeiro a poupança e as contas fixas, e só depois divida o resto pela comida, transporte e outras despesas. Abaixo tem um método em cinco passos e uma tabela-exemplo em Kz que pode copiar e adaptar à sua família.

Passo 1: some o dinheiro que entra de verdade

O erro mais comum é fazer contas com o salário bruto. O que interessa é o líquido, depois do INSS e do IRT. Some:

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  • os salários líquidos de todos os que contribuem para a casa;
  • os subsídios pagos todos os meses;
  • rendimentos regulares de um pequeno negócio, de uma renda ou de biscates.

Se um rendimento é incerto, como vendas que variam muito, conte só o valor do pior mês dos últimos seis. O que vier a mais é um bónus, não uma base.

Exemplo: um casal em Luanda. Um ganha 300 000 Kz brutos e recebe cerca de 243 370 Kz líquidos. O outro ganha 100 000 Kz brutos e recebe cerca de 97 000 Kz líquidos, porque em 2026 os rendimentos até 150 000 Kz estão isentos de IRT. A casa tem 340 370 Kz por mês. Para calcular o líquido de cada salário da sua casa, use a calculadora de salário líquido.

Passo 2: liste todas as despesas

Durante um mês, anote tudo o que sai: renda, compras no Kero, no Shoprite ou no mercado, recargas de luz e de água, gás, candongueiro, propinas, saldo da Unitel ou da Africell, farmácia, ajudas à família. Use um caderno, uma folha no telemóvel ou os movimentos do banco e do Multicaixa Express.

Depois agrupe as despesas em três tipos:

  1. Fixas: o valor é quase igual todos os meses (renda, propinas, pacote de TV).
  2. Variáveis essenciais: não pode cortar, mas pode controlar (comida, transporte, luz, água).
  3. Não essenciais: pode reduzir ou cortar num mês difícil (saídas, roupa, lanches fora).

Passo 3: distribua o dinheiro pela ordem certa

A ordem conta tanto como os valores:

  1. Poupança, logo no dia do salário. Mesmo que seja 5%.
  2. Despesas fixas, que não podem falhar.
  3. Variáveis essenciais, com um limite para cada uma.
  4. O resto para não essenciais e imprevistos.

Uma referência usada em muitos países é dividir o líquido em 50% para necessidades, 30% para desejos e 20% para poupança. Em Angola, com a renda e a comida a pesar muito, poucas famílias conseguem estes números. Não faz mal. Uma meta realista para começar é 75% a 85% para necessidades, 5% a 15% para o resto e 5% a 10% para poupança.

Tabela-exemplo de orçamento familiar em Kz

Esta tabela usa o casal do exemplo, com 340 370 Kz líquidos e dois filhos em idade escolar. Os valores servem só para mostrar como dividir o dinheiro. Não são preços de referência: substitua-os pelo que a sua família paga de facto.

CategoriaTipoValor do exemplo% do líquido
Poupança e fundo de emergênciaPoupança34 000 Kz10%
Renda da casaFixa90 000 Kz26%
Comida e produtos de limpezaVariável essencial100 000 Kz29%
Luz, água e gásVariável essencial20 000 Kz6%
TransporteVariável essencial35 000 Kz10%
Escola e material dos filhosFixa25 000 Kz7%
Saldo, internet e TVFixa12 000 Kz4%
Saúde e farmáciaVariável essencial8 000 Kz2%
Ajudas à famíliaNão essencial8 000 Kz2%
Lazer e imprevistosNão essencial8 370 Kz2%
Total340 370 Kz100%

As percentagens estão arredondadas. Repare que a renda e a comida levam mais de metade do dinheiro. É assim na maioria das casas em Luanda, e é por isso que pequenas poupanças nestas duas linhas fazem tanta diferença.

Dica: divida o dinheiro da comida e do transporte por semanas. Com 100 000 Kz para comida, fica com cerca de 25 000 Kz por semana. Se numa semana sobrar, passe para a seguinte. Se faltar, sabe logo, em vez de descobrir no dia 25.

Passo 4: controle durante o mês

  • Use contas ou “envelopes” separados. Pode ter uma conta para as despesas fixas e outra para o dia a dia. Muitas famílias também usam envelopes em casa para o dinheiro vivo da comida e do transporte.
  • Veja o saldo uma vez por semana na app do banco ou no Multicaixa Express. Cinco minutos chegam.
  • Combine as regras em casa. Todos os que gastam devem conhecer os limites. Um orçamento que só uma pessoa respeita não funciona.
  • Não compre a crédito o que não cabe no orçamento. Prestações e dívidas de fiado comem o salário do mês seguinte antes de ele chegar.

Passo 5: reveja todos os meses

No fim de cada mês, compare o que planeou com o que gastou de facto. Pergunte:

  • Em que linha gastei mais do que previa, e porquê?
  • Há alguma despesa que pode cortar ou reduzir?
  • O que vem aí no próximo mês: início do ano letivo, festas, uma viagem à província, um casamento?

Os preços mudam ao longo do ano. Segundo o INE, a inflação homóloga em agosto de 2026 foi de 8,78%, com a alimentação a subir mais do que a média. Por isso, atualize os valores da comida e do transporte pelo menos de três em três meses. Para ideias práticas de cortes, leia o nosso guia como poupar com um salário baixo.

Despesas que costumam ficar de fora

Muitos orçamentos falham por causa de despesas que não chegam todos os meses. Faça uma lista e divida o valor anual por 12:

  • matrículas, uniformes e material no início do ano letivo;
  • Natal, Ano Novo e aniversários;
  • óbitos, casamentos e outras contribuições à família;
  • renovação de documentos, como o BI ou o passaporte;
  • reparações em casa, no carro ou na mota.

Guarde esse valor mensal na poupança, numa linha à parte. Quando a despesa chegar, o dinheiro já lá está.

Perguntas frequentes

Qual a percentagem ideal para poupar?

A referência internacional é 20%, mas em Angola comece com o que conseguir, mesmo 5%. O importante é separar no dia do salário e aumentar aos poucos.

Devo contar os subsídios no orçamento?

Sim, se forem pagos todos os meses, como os de alimentação e transporte. Subsídios anuais, como o de férias ou o de Natal, devem ir para despesas grandes ou para a poupança.

E se o dinheiro não chegar para as despesas essenciais?

Primeiro reveja as maiores linhas, a renda e a comida. Depois procure aumentar a entrada, com um trabalho extra ou um emprego melhor. Cortar só nos pequenos gastos raramente chega.

Com que frequência devo rever o orçamento?

Todos os meses, de forma rápida. E com mais calma a cada três meses, para atualizar os valores com os preços atuais.

Fontes: INE Angola: indicadores, RNA: inflação de agosto de 2026, MINFIN: Lei do OGE 2026 (IRT), MAPTSS: salário mínimo

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