Atualizado em outubro de 2026
Os sintomas do paludismo (malária) começam quase sempre com febre, dor de cabeça e calafrios, que aparecem normalmente 10 a 15 dias depois da picada de um mosquito infetado. Em Angola, qualquer febre deve ser tratada como possível paludismo: vá ao centro de saúde fazer o teste no mesmo dia, sobretudo se for uma criança pequena ou uma grávida. O diagnóstico e o tratamento são gratuitos nas unidades do Serviço Nacional de Saúde.
Porque o paludismo continua tão perigoso em Angola
O paludismo é a principal causa de doença e de morte no país, segundo o Ministério da Saúde (MINSA). Em 2025 foram notificados mais de 11 milhões de casos e cerca de 11 mil mortes. Angola está entre os seis países com maior carga da doença no mundo. A nível global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima cerca de 282 milhões de casos e 610 mil mortes em 2024, quase todos em África.
A doença é causada por um parasita (o Plasmodium) transmitido pela picada da fêmea do mosquito Anopheles, que pica sobretudo ao fim da tarde e durante a noite. Não passa de pessoa para pessoa como uma constipação. A boa notícia: é uma doença que se previne e que tem cura quando é tratada cedo.
Sintomas do paludismo: os comuns e os sinais de perigo
Os primeiros sintomas podem ser ligeiros e confundir-se com uma gripe ou com uma virose. É por isso que muitas pessoas esperam demasiado.
| Sintomas iniciais | Sinais de perigo (urgência) |
|---|---|
| Febre, que pode ir e vir | Cansaço extremo, a pessoa não se consegue levantar |
| Calafrios e suores | Sonolência, confusão ou perda de consciência |
| Dor de cabeça | Convulsões (ataques) |
| Dores no corpo e cansaço | Dificuldade em respirar |
| Náuseas, vómitos, falta de apetite | Urina escura, olhos ou pele amarelos |
| Nas crianças: choro, irritação, recusa em mamar ou comer | Sangramentos anormais; vómitos que não deixam beber nada |
Quem corre mais risco de paludismo grave, segundo a OMS: bebés e crianças com menos de 5 anos, grávidas, pessoas que vivem com VIH e quem vem de zonas sem paludismo (por exemplo, angolanos que viveram muitos anos no estrangeiro).
Quando ir ao hospital
Não espere que a febre “passe sozinha”. Siga estas regras:
- Qualquer febre: vá ao centro de saúde ou posto médico mais próximo para fazer o teste, de preferência no próprio dia.
- Criança com menos de 5 anos ou grávida com febre: vá logo, sem esperar pelo dia seguinte.
- Qualquer sinal de perigo da tabela acima: vá imediatamente ao hospital ou banco de urgência. É uma emergência.
- Se o teste der negativo mas a febre continuar: volte à unidade de saúde. Pode ser preciso repetir o teste ou procurar outra causa.
- Se já está em tratamento e piora, ou vomita os comprimidos: volte à unidade de saúde.
Atenção: não tome remédios contra o paludismo comprados na rua ou na farmácia sem teste e sem receita. A OMS recomenda confirmar sempre a doença com um teste (rápido ou microscopia) antes de tratar. Tomar o medicamento errado, ou só parte do tratamento, pode esconder outra doença e ajudar o parasita a ficar resistente. Quando receber o tratamento, tome-o até ao fim, exatamente como o profissional de saúde indicou, mesmo que já se sinta melhor.
Como prevenir o paludismo em casa
Mosquiteiro tratado com inseticida
É a proteção principal recomendada pela OMS. Durma debaixo do mosquiteiro todas as noites, durante todo o ano, e não só na época das chuvas. Prenda bem as pontas debaixo do colchão e remende os buracos. Dê prioridade às crianças e às grávidas se não houver mosquiteiros para todos. Pergunte no centro de saúde ou nas consultas pré-natais se há distribuição gratuita na sua zona.
Acabar com a água parada
O mosquito põe os ovos em água parada. Uma vez por semana:
- Tape bem os bidões, tanques e baldes onde guarda água.
- Vire garrafas, latas, pneus velhos e vasos que acumulem água da chuva.
- Limpe as valas e caleiras à volta da casa, com os vizinhos se possível.
- Corte o capim alto à volta do quintal.
Proteção ao fim do dia
- Ao anoitecer, use roupa de manga comprida e calças, sobretudo ao ar livre.
- Use repelente na pele exposta, seguindo as instruções da embalagem. Peça conselho na farmácia para bebés.
- Ponha redes nas janelas e feche as portas ao fim da tarde.
- Aceite a pulverização intradomiciliária quando as equipas de saúde passarem no seu bairro.
Grávidas, crianças e a vacina
O paludismo na gravidez pode causar anemia, aborto, parto prematuro e bebés com baixo peso. Vá a todas as consultas pré-natais: a OMS recomenda, nas zonas com paludismo, medicação preventiva durante a gravidez, que é receitada e explicada pelo profissional de saúde.
A OMS recomenda duas vacinas contra o paludismo para crianças: a RTS,S/AS01 (desde 2021) e a R21/Matrix-M (desde 2023). Em abril de 2026, o MINSA anunciou que a vacina seria introduzida no calendário nacional ainda durante este ano, para crianças com menos de um ano. Pergunte no posto de vacinação se já está disponível na sua zona. A vacina não substitui o mosquiteiro: as duas coisas juntas protegem mais.
Se a doença o obrigar a faltar ao trabalho, guarde a declaração médica. Veja os seus direitos no nosso guia da Lei Geral do Trabalho. Em época de chuvas, leia também o artigo sobre como se proteger da cólera.
Perguntas frequentes
Quanto tempo depois da picada aparecem os sintomas?
Normalmente 10 a 15 dias depois da picada do mosquito infetado, segundo a OMS. Por isso, uma febre semanas depois de uma viagem também pode ser paludismo.
O tratamento do paludismo é pago?
Segundo o MINSA, o diagnóstico e o tratamento são gratuitos em todas as unidades do Serviço Nacional de Saúde.
Posso ter paludismo mais de uma vez?
Sim. Ter tido paludismo não protege de forma segura contra novas infeções. Continue a usar o mosquiteiro.
Paludismo e malária são a mesma doença?
Sim. São dois nomes para a mesma doença. Em Angola usam-se os dois.
Posso tratar o paludismo em casa com chás?
Não. Chás e remédios caseiros não curam o paludismo. Faça o teste e siga o tratamento indicado na unidade de saúde.
Fontes: OMS, ficha informativa sobre a malária; MINSA, combate à malária e vacinação (abril de 2026); MINSA, tratamento gratuito no SNS.
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