Unitel sofre ciberataque: rede de internet e chamadas afetada em todo o país

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Unitel sofre ataque cibernético

Unitel sofre ciberataque: internet e chamadas em baixo em todo o país

Se esta terça-feira o teu telemóvel simplesmente parou de funcionar, não foste só tu. A Unitel — a maior operadora de Angola — confirmou que sofreu um ciberataque à sua infraestrutura tecnológica, e o país inteiro sentiu o impacto quase em simultâneo.

O que aconteceu, em termos concretos

A operadora detetou o incidente por volta das 2h20 da madrugada, e o ataque derrubou voz, dados móveis e internet em todo o território nacional, tanto para clientes particulares como para empresas. Não é um problema pontual de rede numa cidade ou província — foi nacional, e isso, por si só, dá uma ideia da escala do que aconteceu. African Markets

Em comunicado, a Unitel disse ter ativado imediatamente os mecanismos de resposta e contenção, com as equipas técnicas e de cibersegurança mobilizadas para restaurar os serviços gradualmente — que, à hora da publicação deste artigo, ainda estavam afetados. O que a empresa não disse é, provavelmente, o que mais gente quer saber: quem fez isto, e se dados de clientes foram comprometidos. Sobre isso, silêncio. African MarketsAfrican Markets

Para pôr as coisas em perspetiva: a Unitel reivindica mais de 21 milhões de clientes em Angola, e o relatório anual de 2025 fala em 20,8 milhões de utilizadores e cerca de 76% de quota de mercado no país, além de operações em São Tomé e Príncipe e Cabo Verde. Quando uma empresa deste tamanho fica sem conseguir prestar serviço básico, o efeito dominó chega a hospitais, bancos, pequenos negócios — praticamente tudo o que depende de conectividade móvel. African Markets

O timing que ninguém esperava

Há um detalhe que torna este caso ainda mais delicado. A Unitel estava agendada para estrear as suas ações na Bolsa de Dívida e Valores de Angola no dia seguinte, tornando-se a primeira empresa não financeira cotada na bolsa do país. Um ciberataque a poucas horas de um momento tão simbólico não é propriamente o tipo de notícia que uma empresa quer ver a circular na véspera de abrir capital. African Markets

Sou cliente Unitel. O que faço agora?

Nada de pânico, mas também nada de ignorar o assunto. Isto é o que eu faria no teu lugar:

  1. Confirma o estado da rede pelos canais oficiais — site, app, redes sociais da Unitel — antes de concluir que o problema é do teu aparelho.
  2. Desconfia de SMS ou chamadas estranhas nas próximas semanas. Ciberataques a operadoras costumam ser seguidos de tentativas de phishing, e o caos generalizado é exatamente o ambiente perfeito para golpes desse tipo.
  3. Não partilhes dados pessoais por telefone com ninguém que diga estar “a resolver o problema da rede” — a Unitel não pede dados sensíveis dessa forma.
  4. Tem um plano B de conectividade se dependes da internet para trabalhar: um segundo SIM de outra operadora ou acesso a Wi-Fi alternativo pode poupar-te um dia inteiro parado.
  5. Muda a palavra-passe da tua conta Unitel assim que os serviços voltarem ao normal. Mesmo sem confirmação de fuga de dados, é uma precaução barata.
  6. Guarda comprovativos de qualquer cobrança estranha durante o período de falha, para reclamares depois com mais facilidade.
E agora?

A Unitel ainda não deu uma previsão clara de quando tudo volta ao normal. O mais provável é que novos comunicados apareçam nas próximas horas — vale a pena manter o app ou as redes sociais da operadora à mão em vez de ficares a atualizar o browser sem sinal.

Além disso, este “apagão” forçado deixa um alerta sério sobre o quão vulneráveis ficamos quando dependemos de forma tão massiva de uma única infraestrutura. Num país onde os pagamentos móveis, as transferências bancárias, os serviços de transporte e os pequenos negócios assentam quase inteiramente na conectividade, um dia sem sinal não é apenas um incómodo tecnológico — traduz-se em prejuízos reais e imediatos para a economia.

Nos próximos dias, a pressão sobre a Unitel vai inevitavelmente aumentar. A exigência pública não será apenas pelo restabelecimento total e estável da rede, mas por respostas claras. Os utilizadores — e os investidores que aguardavam o toque do sino na bolsa — vão querer saber exatamente como é que uma infraestrutura crítica do país foi invadida e, mais importante ainda, que garantias existem de que a privacidade e os dados não foram comprometidos.

Até lá, a paciência é, literalmente, a única ferramenta que nos resta. Vamos continuar a acompanhar a evolução deste incidente e atualizaremos este espaço assim que houver respostas oficiais.

E desse lado? Já tens algum “traço” de rede no telemóvel ou continuas completamente “desligado” do mundo? Partilha a tua experiência connosco nos comentários (assim que a tua internet deixar, claro!).

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